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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Compartilhando uma Experiência GeoPedagógica com Música

Inspirado na música Show das Poderosas (mais conhecida como Prepara) da Mc Anitta, fiz essa GeoParódia, uma adaptação geográfica. A música é muito conhecida dos alunos, e não precisa de muita observação para perceber isso. Por isso resolvi geografizá-la... 

É importante dizer que essa atividade não tinha o objetivo de fazer com que os alunos decorassem algo, e sim, sintetizar. O conteúdo Microclima, através do qual construímos diversas habilidades e competências, foi trabalhado de várias formas. A música fechou marcou o fim desse assunto nas aulas com chave de ouro, num momento lúdico no qual fizemos construções para além da Geografia.

Essa é apenas uma das várias formas de se trabalhar com música em sala de aula. O professor cria uma letra sobre uma música conhecida e a reproduz com os alunos em sala de aula. Aí tu poderias dizer que professores não têm tempo para isso, e eu entendo, porém há professores com mais facilidade para esse tipo de criação. Eu acordei inspirado num sábado de manhã e criei essa música antes de iniciar o almoço.

Na verdade processos de criação assim precisam mais de vontade e prática do que de tempo, de fato. Se a criação será inovadora, aí sim, acredito que precise de mais tempo. E a minha facilidade é produto da prática, também. Mas, baseado nesse principal argumento para a não-criação de novas práticas e utilização de novas linguagens no ensino, costumo compartilhar com os colegas interessados algumas ideias. Seja por aqui, seja via blog do PIBID Geografia UFRGS, seja em eventos ou publicações: compartilhar é preciso. E é um prazer saber que algum colega utilizou algo que bolei em sua aula! Compartilho experiências na esperança de isso virar moda...

Essa era uma aula de 50 minutos. Mais um argumento inválido para a não-utilização de música em aula. Um período é pouco, eu concordo, mas para muitos professores é tempo demais para aula de menos. Penso que trabalhar com música é ganhar tempo. Nessa aula, por exemplo, além de cantarem a música três vezes, os alunos responderam a seis questões interpretativas da sua letra. E responderam satisfatoriamente. Tudo isso após a leitura da música verso por verso e conversarmos sobre alguns conceitos musicais. É fundamental desenvolver determinadas habilidades através da música e não subutilizá-la.



Quem quiser a letra da música e as questões interpretativas, é só mandar um email que eu retorno já com o material, com o maior prazer! Não te acanhas, espero teu email se quiseres utilizar a música em aula! 
Meu email é artureka@gmail.com

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Música para meus ouvidos...

Sair de casa e já ouvir um "Eaíí Sôr Salsichaaa!", àqueles que não gostam dos seus apelidos, poderia ser chato... Ainda mais em um shopping lotado, como noutra vez aconteceu comigo, com a mesma frase, de outro ex-aluno.


Ser chamado de Salsicha, dadas as semelhanças entre mim e o personagem, não é nada. Na verdade nenhuma palavra poderia ser pejorativa se antecedida de "Sôr". Sendo essas duas palavras antecedidas de um "Eaííí" bem alto, melhor ainda! Lembro-me bem de me esconder dos professores por quem eu cruzava na rua. Se não fazem isso comigo, já é ótimo sinal. Já é reconhecimento do trabalho.

Sigo me me existenciando através da docência, sigo construindo a identidade de Professor, cada vez mais convicto do que me realiza. Coisa boa...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sobre a minha experiência docente no Instituto...

Mais um sonho realizado!
Minha experiência docente na escola que me formou (em muitos sentidos... como pessoa!) foi curta...  durou 2 meses, só. Intensos 2 meses. Frequentando seus espaços duas ou três vezes por semana. Tempo suficiente para eu me encher de alegrias e cumprir um papel que faltava: de professor do IE. Afinal, em 15 anos de escola, eu cumpri tantos papéis diferentes...

Voltar lá como professor foi demais! Logo eu, quem? Olha só, ó...
Que estranho reconhecer alguns alunos que ainda não se formaram. Isto mostra há quão pouco tempo eu ainda estava ali, no chato papel de aluno... e que interessante ser reconhecido por vários professores que me deram aula! Sinal de que traumatizei... lembravam até dos meus complexos sobrenomes! Não passei em branco! \o/

Muito legal ouvir palavras (des)motivadoras para quem inicia a carreira docente, como: "Agora tu vais provar do teu próprio veneno!", "Tomara que tu tenhas alunos como tu eras...", etc... haha! Quase morria engasgado com a frase: "Terei alunos terríveis como eu era, se eu lecionar como vocês lecionam..." Seria uma frase a ser vomitada, e não falada... mas não falei. Devia...

Trabalhar Geografia com meus alunos do 6º Ano, as características gerais da Terra e seus movimentos, orientação e localização, foi só o meio pelo qual passei minha mensagem nesses 2 meses... certamente eles não lembrarão do que fizemos e do que falei em alguns anos, mas acredito que se lembrarão do que sentiram em alguns momentos...

Eu me lembrarei dos olhinhos brilhando quando falava da minha relação com a escola e da importância deste momento para a vida deles; daquela mãe da aluna que passou a gostar de Geografia por causa minha; daquelas frases de carinho que ouvi e de algumas lágrimas no último dia de estágio. Me senti educando, com tudo o que há nas entre-letras desta palavra.

Foi demais...
Relato no Facebook da minha querida Gabriela Borin:


E a postagem de um dos alunos do estágio... :')

terça-feira, 5 de março de 2013

Queixo-me ao blog...

O causo é o seguinte:
Acabo de ver um vídeo que fala de forma bonita e organizada tudo que sempre pensei e pratiquei, porém, do meu jeito. Aí fiquei feliz, triste, orgulhoso e frustrado ao mesmo tempo e, quando sentimentos se cruzam assim, eu escrevo. Então liguei o Cartola nos fones de ouvido e fui...


Que frustrante e muito fantástico é ver alguém verbalizando, textualizando, o que desorganizadamente eu já pensava e sentia, desde criança. Acontece direto... às vezes quando leio um texto ou assisto um vídeo... outra hora numa conversa, ou numa reflexão ao abrir a geladeira. Enfim, eu explico. Ou complico. Sei lá, ninguém mandou você ler isso aqui.

Me frustro por perder um pouco da minha ignorância e, junto dela, a minha petulância. Perdi autoria... Era tão bom ser ignorante e achar que estava na vanguarda daquele pensamento... Agora sei que nada sei, ou melhor, nada sabia... Antes não sabia o quanto de fato não sabia e achava que sabia muito... Ih, baixou Sócrates aqui.

Mas, ora, não sejamos tão humildes... Agora sei que sei um pouquinho... Por isso é fantástico! Senti orgulho de mim mesmo! Agora vejo alguém que estudou décadas a mais que eu embasando teoricamente o que eu intuitivamente pensava e praticava, legitimando meus atos. Isto organiza meu pensamento e me fortalece politicamente a partir do momento em que vejo que não estou sozinho neste movimento.

Cartola... me acompanhou enquanto desabafei aqui...
Agora, minha motivação de ir além foi potencializada, pois o ponto que até então fora uma meta, agora é a referência sobre a qual estou caminhando! Ah, e essa trajetória vai ganhando novas metas num horizonte cada vez mais amplo! Segue o baile, em busca de novas frustrações fantásticas!

3h44min, vou desligar o Cartola nos fones, cacofonizar menos, parar de parafrasear o Sócrates, e dormir... boa noite!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Geografizando a Música...

... ou Musicalizando a Geografia? Não sei bem... A Geografia e a Música são tão indissociáveis quanto espaço e tempo, futebol e bola, Piu-piu e Frajola, etc...
O fato é que o querido Padeirinho, compositor da música Favela que ouviremos a seguir na voz de Tantinho da Mangueira, musicalizou a Geografia. Mais especificamente, narrou um processo de favelização! Um relato de quem vivenciou este processo, numa época de remoções de grandes comunidades e "higienizações" de centros urbanos, marginalizando (realocando para as margens da cidade) aqueles que não atendiam ao interesse do Estado, do dito progresso. Estas pessoas formaram grandes áreas ocupadas irregular e perigosamente, muitas vezes em vertentes instáveis de morros... formaram favelas!


Das favelas vieram meus ídolos e grande parte da cultura popular brasileira. Lá está o que entendo por riqueza! Lá está a força e a resistência de um povo desassistido pelo Estado! Eis a importância de se pensar e se trabalhar em sala de aula as causas e contribuições das favelas! Por isso indico este samba aos colegas professores de Geografia, para conhecimento e utilização em sala de aula como uma forma eficaz e agradável para sensibilizarmos, desconstruirmos preconceitos e valorizarmos a nossa cultura.

Tantinho da Mangueira, dono da voz que interpreta a música.
As imagens que escolhi para ilustrar o vídeo funcionam como uma linguagem não verbal, bem como a sua melodia, boa para sentirmos e compreendermos melhor tal processo. Nossos alunos aprendem muito imageticamente! Elas partem em preto e branco, tristes, de tempos difíceis da busca destas pessoas por uma área para simplesmente viver, obterem o mínimo de qualidade de vida. Com o decorrer do vídeo, as imagens ganham cor e mostram a favela de uma forma que não estamos acostumados a ver através da mídia, que comumente deprecia e mostra na maior parte das vezes somente seus problemas sociais.

O texto da música é facilmente relacionável com os cinco conceitos mais importantes da ciência geográfica: Espaço Geográfico, Paisagem, Região, Território e Lugar. Alguns, inclusive, são citados. É pura Geografia.

Usa a música! E depois me conta como! Seria uma alegria imensa saber que algum colega utilizou esta música em aula. Ainda mais se trabalhar com este vídeo! Conversemos, troquemos experiências!!!

Link para a letra da música: aqui!
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

TEDx Unisinos - Inovação na Educação

Alegria!

Hoje participei, como ouvinte, claro, do TED! Apesar de há muito tempo já acompanhar belas palestras pelo site, hoje assisti ao vivo. Esclarecendo para quem não conhece e vai clicar aqui para conhecer o site logo mais, o TED é uma organização que promove palestras com pensadores de determinados assuntos.
Eu, mais especificamente, participei do TEDx Unisinos que abordou o tema Inovação na Educação.
O evento foi muito bom em termos de organização; tudo muito bonito, todos os participantes confortáveis e bem amparados com o apoio de vááários voluntários, etc. Porém, ah porém, eu esperava mais das palestras que assisti; em termos de conteúdo, criatividade e novidades... na verdade, erro meu, que superestimei as palestras. Esperava que todas tivessem o toque de humor e a clareza do Sir Ken Robinson e as ideias e a criatividade do indiano Arvind Gupta.

Assisti a todas as palestras e em apenas uma eu me levantei para aplaudir. Eu e todos os outros ouvintes. Merecido reconhecimento do público ao matemático Gustavo Reis! Dentre tanta coisa interessante dita na palestra, cito uma que não define a linha de seu raciocínio, mas que todos os professores em formação, como eu, deveriam ouvir. Disse ele que "no Brasil, a gente tem que ser socialmente resistente se quiser ser professor". Exato! Pessoas que não resistem às involuntárias tentativas de desvalorização moral da categoria, abandonam seu sonho... 

Mas enfim, não quero me estender nem focar nas palestras. Elas poderão ser assistidas depois via internet. De repente eu comento elas, uma por uma... veremos. Também não quero criticar ao modelo do evento ou os critérios para escolha dos palestrantes. O que quero mesmo, é dizer que apesar de ter superestimado as palestras e ter algumas críticas às escolhas dos palestrantes, eu saí de lá feliz por alguns motivos. 

Um deles foi ver a presença do PIBID no evento, sendo o foco de duas palestras. Já não podemos falar de inovação na educação do Brasil atualmente, sem citar o programa.  Mas o mais motivante foi ver que estou no caminho certo. Nada do que fora tratado como novidade foi novidade pra mim. Mesmo assim aprendi muito, claro. Me inspirei, antes de mais nada. Vi que inovar na educação é, acima de tudo, achar um meio de obter sucesso no processo de aprendizagem. Simples assim. Foram nas ideias mais simples, nos materiais mais baratos, que vi os professores inovando e a transformação ocorrendo.

Que venha o próximo TEDx!
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Dia do Professor

Enquanto isso, no Facebook...

Este é o 5º Dia do Professor que comemoro... 

E comemoro, de fato! É importante que se comemore esta data. Mas a folga que temos hoje serve também para pensarmos, refletirmos, sobre a importância do professor na vida das pessoas e assim seguirmos motivados em meio às dificuldades. Essas dificuldades só tornam a prática docente mais complexa, e é a COMPLEXIDADE o que mais me atrai no fazer pedagógico.

Assim, o que desejo neste Dia do Professor a todos os colegas é que transformemos cada pingo de complexidade em oceanos de motivação!
Alegria!!!

Esta é uma das imagens que compõem o descanso de tela do meu computador e
me remetem a bons momentos da carreira docente.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Triste Causo da Árvore do IE

Caiu... Hoje parte do cenário no qual formei minha maior rede de amizades e onde vivi meus primeiros amores, caiu. A árvore em frente à escola que estudei a vida inteira, caiu.
Imagem Via Matheus Bertolo Damasceno
Caiu com ela a sombra que aproximava espacialmente os alunos enquanto as aulas não começavam, durante o recreio, ou no final das aulas. A sombra que propiciava abrigo àqueles que conviviam, trocavam, brincavam, amadureciam e aprendiam a vida em sociedade.

O quanto será que ela influenciou positivamente na aprendizagem de milhares de alunos? Pois os ruídos de carros, motos, caminhões e ambulâncias  que desgastam as vozes dos professores eram submissos ao canto dos pássaros que habitavam sua copa. O calor que leva a desconcentração nas aulas monótonas era disfarçado por sua presença nas janelas...


Caiu a possibilidade de um dia passar por aquela bela calçada de mãos dadas com meus filhos, a caminho da Redenção, e comentar: "aqui em baixo, nesta sombra, recuperando as aulas em janeiro por causa das greves, a gente tomava um 20 Litrão*! Ali eu fazia 'balãozinho' com os parceiros do futebol... E sabe esse velho tio do churros? Ele já vendia churros no meu tempo..."

A topofilia, relação sentimental que alguém estabelece com determinado lugar, ambiente, foi afetada... parte da minha história se mantinha viva, literalmente, naquele Guapuruvu. 
Estou ficando velho: um dos principais cenários da minha vida já não é mais como era...


Os tocos do Guapuruvú... via Júlio Rosa...



       Sábia, caiu sobre a grade que a reprimia...




            *20 litrão era um suco que fazíamos em um galão de 20 litros de água!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Influências geográficas do meio...

Enquanto isso, no Dia do Geógrafo - 29 de Maio...
Recebi, dentre algumas felicitações, uma que me chamou mais a atenção. Um tweet da @CervejaAcoriana que me fez pensar nas influências que sofremos e que nos levam a cursar Geografia. Me despertou uma vontade louca de compartilhar aqui com os queridos leitores. A @CervejaAcoriana me disse que Geografia era sua opção na infância, pois adorava olhar para um globo. Já pensou escolher o teu futuro por um objeto exposto ali, em cima do bidê ou pregado na parede?


A primeira influência: quem nos apresenta o mundo, em toda sua complexidade de suas relações. O professor de Geografia. Ele é o culpado pela maioria das escolhas pelo curso no momento da inscrição no vestibular. O bom professor, em qualquer área do conhecimento, será exemplo para seu aluno, que tenderá a seguir seus passos "E é quase impossível dizer quão mais voluntariamente imitamos aqueles a quem amamos", como disse Quintiliano. Os maus professores também podem nos estimular a seguir esta carreira - meu caso.

Porém, ah porém, existe também a influência que sofremos através das representações. Mapas, globos, Google Earth, previsão do tempo no Jornal Nacional, entre outros instrumentos representativos do nosso querido espaço geográfico. Isto é imensurável e normalmente intrínseco, subliminar... não sentimos e nem notamos esta influência, mas ela está aí. Ela vem escondida, em segundo plano, na aula, na televisão, internet...

Eu, por exemplo, tenho certeza que fui influenciado pelo Capitão Planeta! 
Imagina tu, caro leitor, criança, assistindo todos os dias a este desenho que era pura Geografia? O quão importante ele foi na formação do meu intelecto, inserindo doses diárias de Geografia pelos meus ouvidos e olhos?

Que influências tu sofreste para escolher este rumo que seguiste, querido leitor? Já parou pra pensar?

Dedicado à geógrafa mineira Jana Gomes, que curte o blog e ainda mostra para as amigas... hehe!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O "professor-pedreiro"...

Vejo meu caminho na docência como um muro que eu vou construindo...

Um muro sem o objetivo de separar; um muro que visa servir de apoio àqueles que têm dificuldade para ver o horizonte. Um auxílio para que, sozinhos, consigam escalá-lo, possam olhar mais longe e assim decidir os próximos passos. Quem sabe até erguendo outros muros mais adiante...

É como se eu acrescentasse tijolos neste muro a cada aula que eu desse. Sinto que há aulas que poucos tijolos são acimentados. Em compensação, noutras o muro ganha uma base sólida, que o manterá em pé, com tijolos de respeito, carinho, alegria, paciência... Sem frustração: tem aula que eu não consigo acrescentar sequer 1 tijolo. Surge aí uma oportunidade para refletir sobre a forma com que tentei colocá-lo lá e para valorizar a altura que ele já adquiriu até o momento.

Mas o que me leva a escrever isto, é a preocupação com este muro. Quantos outros professores-pedreiros estão nesta obra comigo?

Hoje saí da aula e me deparei com uma colega destruindo o muro a voadoras. Justamente num dia em que senti ter acrescido uma certa altura. Difícil saber o quanto perco com estes destruidores, pois não olho para o chão para ver o quanto tem de tijolo caído, e sim para cima, para onde almejo chegar com esta obra.

A esperança é que, com o passar do tempo, eu vá deixando o muro mais alto e forte, de modo que quando alguém derrubar parte dele, o restante será cada vez maior, até ele atingir uma altura em que se estabilize e torne-se inabalável.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu e minha aula...

"Ô sôr, por que parece que o senhor gosta de dar aula?"

Gaguejei durante infinitos segundos até conseguir lhe responder um sonoro e inconclusivo "não sei".
Ela deve pensar que vários professores não gostam de estar ali. Estão incomodados. Tristes. Na sala dos professores concluo o mesmo que ela, através das conversas.
Ela notou que eu gosto de dar aula. "Ele finge muito bem", ela deve pensar. Imagina! Eu até convenço ela! Mas o que mais me surpreende é a sensibilidade dos alunos, através de exemplos como este.

Um dia fui dar aula de tarde, depois de ter passado uma manhã inteira me despedindo de uma senhora muito especial, que morreu na cama, dormindo. Ela era avó da minha ex-namorada, mas já considerava minha terceira avó. Poderia ter cancelado a aula, alegando estar triste com a situação, mas não gostaria que os alunos tivessem pena de mim, muito menos que ficassem sem aula.

Não falei nada. Deixei os sentimentos do lado de fora da sala e dei meu melhor em aula! Mas não demorou 15 minutos para que me perguntassem: "Sôr, o que tu tem hoje? Tá bem?" Contei tudo o que havia acontecido.  Lamentaram, me confortaram, e assim a aula seguiu, tranquila e produtiva.

Desde então, sempre fui transparente, honesto e sincero com os meus alunos. Até porque eu reproduzo meus sentimentos, sem querer, não tem como escondê-los. Meus sentimentos me produzem e produzem o que eu faço. Se fiz bem, é porque estou bem. Eu, minha aula e meus sentimentos são coisas indissociáveis. Sou o que sinto e minha aula é reflexo do que sou, logo, de como me sinto.
Basta a presença de um professor desmotivado para que o problema no complexo processo de aprendizagem comece.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Causo do Silêncio Absoluto

Costumo dizer que o silêncio na sala de aula não é bom sinal...
Uma aula que começa em silêncio absoluto e assim permanece até o término do período não instigou os alunos. Este professor não os desestabilizou, não os retirou de suas zonas de conforto, não despertou curiosidade. Uma aula expositiva, não comunicativa; uma tentativa de transferir conhecimento e não de construí-lo. Por isso procuro manter a comunicação nas minhas aulas, com poucos, mas precisos, momentos de silêncio.

Sabendo disto, querido leitor, te conto agora o Causo do Silêncio Absoluto. Um momento que marcou minha vida docente até aqui. Segundos que provocaram muitos minutos de reflexão acerca do ocorrido. O causo se passa no final da aula, em um momento de conversação com os alunos.

Conversávamos sobre a vida de professor. Por que eu inventei essa história de ser professor, queriam saber. Nas pequenas cabeças pensantes, eu era um cara novo, querido, diferente de muitos professores que trabalham naquela escola. Ainda estava em tempo de procurar algo melhor para fazer, não havia porquê aturar tantas crianças chatas, como se autointitularam. Expliquei... disse o que me fazia feliz neste trabalho. Mostrei o lado bom, e só este, da vida de um professor.

Ainda assim, crente de que estaria convencendo vários a seguirem meus passos, ao final da conversa perguntei: "Alguém aí gostaria de ser professor quando crescer?".
Silêncio absoluto. De repente consegui um silêncio que nunca conseguiria se pedisse, gritasse ou implorasse. Sequer os passarinhos que cantaram durante toda a tarde se manifestaram. Nenhum corpo capaz de produzir som, o fez durante aqueles segundos. Eram só trocas de olhares, esperando alguém se arriscar a responder que sim.


Não contive a decepção. Conheciam a dura vida de professor brasileiro. Meus traços faciais foram bem interpretados e provocaram uma comoção seguida de sorrisos quebradores de gelo.
Bateu. Estão liberados.

sábado, 5 de novembro de 2011

A Sala dos Professores

Contato com os colegas sempre tive, mas ter este contato espacializado na Sala dos Professores potencializa características dos assuntos sempre presentes nas conversas entre os colegas.

Lembro da alegria que sentia quando tinha que pegar livros na sala dos professores, á mando de algum professor, ainda nos tempos de colégio. Entrava na sala e via os professores à vontade, comendo bolachas, tomando café e conversando confortavelmente nos sofás.
Todo o aluno gosta de ver professores relacionando-se amigavelmente; a Psicologia explica.

Depois de estar certo da carreira docente, passei a imaginar que a sala dos professores seria um espaço destinado à troca de experiências, basicamente. Uma espécie de congresso diário dos professores de determinada escola. Gente com muita afinidade (tipo Big Brother), muito em comum. Só alegria.

Hoje que frequento algumas salas de professores, vejo que os colegas inutilizam-no. Generalizando muito o que acontece neste ambiente e como se comportam aqueles que o frequentam, baseado numa amostra irrelevante de salas e em conversas de corredor, digo que a sala dos professores é um espaço de desmotivação e desesperança, em que os mais experientes encontram ouvidos loucos para ouvir, e os mais novos encontram bocas loucas para desabafar. Funciona na maior parte do tempo como um lugar seguro para se falar mal dos alunos; citando nomes e turmas.

Ainda assim, a sala dos professores não perdeu sua magia, para mim. Quem determina a dinâmica deste espaço são os agentes deste. Uma sala em que professores de várias áreas do conhecimento se encontram, tem tudo para ser algo potencializador de boas iniciativas e de boas amizades. O resto, guardemos para as reuniões e terapias!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Causo do Jesus Professor

O texto, de autor desconhecido (grande autor, que escreve muitas coisas na internet), nos diverte e nos faz pensar na situação da Educação.

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Ele os preparava para serem os educadores

capazes de transmitir a lição da Boa Nova a todos os homens.

Tomando a palavra, disse-lhes:

"Em verdade, em verdade vos digo:

- Felizes os pobres de espírito, porque dele

s é o reino dos céus.

- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

- Felizes os misericordiosos, porque eles..."


Pedro o interrompeu: - Mestre, vamos ter que saber isso de cor?

André perguntou: - É pra copiar?

Filipe lamentou-se: - Esqueci meu papiro!

Bartolomeu quis saber: - Vai cair na prova?

João levantou a mão: - Posso ir ao banheiro?

Judas Iscariotes resmungou: - O que é que a gente vai ganhar com isso?

Judas Tadeu defendeu-se: - Foi o outro Judas que perguntou!

Tomé questionou: - Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?

Tiago Maior indagou: - Vai valer nota?

Tiago Menor reclamou: - Não ouvi nada, com esse grandão na minha frente.

Simão Zelote gritou, nervoso: - Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

Mateus queixou-se: - Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!

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Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:

- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?

- Onde está o seu plano de curso e a avaliação diagnóstica?

- Quais são os objetivos gerais e específicos?

- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

Caifás emendou:

- Fez uma programação que inclua os temas transversais e atividades integradoras com outras disciplinas?

- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?

- Elaborou os conteúdos conceituais, processuais e atitudinais?

Pilatos, sentado lá no fundão, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, ao final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.

- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.

- E vê lá se não vai reprovar alguém!

E, foi nesse momento que Jesus disse:

"Senhor, por que me abandonastes..."

E o salário, óh..


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Causo do Skype

O Causo do Skype, acontecido nesta semana com meus English Students. Trata-se de uma experiência pedagógica que visa estabelecer um primeiro contato, ainda que a distância entre alunos do curso de Inglês com um Native Speaker, seja ele estadunidense, britânico, australiano... importante para se trabalhar a segurança na oralidade, entre outros objetivos.

Mas havia um detalhe nesta atividade. O suposto norte-americano, era um porto-alegrense, amigo meu, falando a alguns quilômetros de distância dos alunos. Sim, enganei meus queridos alunos. Por quê? Vejamos nos resultados obtidos.

O causo ocorreu com uma turma de Basic 1. Num lado da tela, 5 meninas ansiosas para estabelecer seu primeiro contato, em inglês, com um 'gringo'. Do outro, até onde elas pensavam, estava alguém nascido na Califórnia, o "Luke Stevenson". Era chegado o momento de usar aquilo que tínhamos aprendido até o momento. Olhos a brilhar, risadas produzidas pelo nervosismo.

Com muita dificuldade, aos poucos fomos criando coragem e formulando perguntas a fim de coletar algumas informações pessoais do Luke; nome completo, idade, data e local de nascimento, gosto musical, hobbies... e tudo mais que tínhamos aprendido até o momento. Passado este primeiro momento, era a vez de Luke perguntar para as alunas. A cada aluna que Luke escolhia para fazer a pergunta, algumas gotas de suor frio escorriam.

O ator Luke pergunta: "How old are you?" - uma pergunta simples, mas que acordava o gago que todos temos dentro de nós. "Th, thir... thirt.... thirteen, thirteen..." respondeu uma das alunas...

No final, eu e Luke começamos a falar português, para o choque das alunas. Achei que seria linxado, pela sacanagem que fiz. A reação de espanto logo foi trocada por risadas e mais risadas. Relaxaram e falaram com o recém nacionalizado Luke, agora, Lucas.

Atingi o objetivo de mostrar que o que aprendemos neste primeiro semestre de estudo é o suficiente para estabelecer uma boa comunicação. Passei a mensagem de que não devemos 'travar' diante de um estrangeiro. É só uma pessoa, como um brasileiro. Acho que a partir daí estarão mais tranquilas para o próximo encontro, mas com um Original Native Speaker.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cara de Professor...

Queridos leitores (descobri outro dia que passam de 3!),

tenho encontrado amigos que não via há, pelo menos, meses, e um certo padrão de diálogo tem acontecido, mais ou menos assim:

(...)
Amigo: E aí, o que tem feito?
Eu: Trabalhando, estudando...
Amigo: É? Trabalhando com o quê?
Eu: Estou dando aula... sou professor! (Orgulhoso)
Amigo: Bahhhhh, tu tem cara mesmo de professor...

Aí eu te pergunto: Qual a cara do Professor? E se tenho, isso é bom ou ruim?

A imagem que eu tinha de professor, na verdade é de professora. Velha. Uma senhora, chata, de óculos grandes, vestido longo... Aí penso que, assim como eu, aquele que vê assim a imagem de professor não tem lembrança, tem trauma.

Dedicado ao também traumatizado, meu bruxo @Adysoninho

sábado, 29 de janeiro de 2011

Leci Brandão - Anjos da Guarda


Umá música que homenageia a profissão professor! Ao clicar na imagem você será direcionado ao vídeo da música.

Brilhantemente, a música chama-se "Anjos da Guarda", sinônimo de "Professores".

" Na sala de aula
É que se forma um cidadão
Na sala de aula
Que se muda uma nação
(...)
Batam palmas pra ele... "


Dedicado ao colega, parceiro, professor @geoadeva Fabrício Caetano.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sir Ken Robinson


Sir Ken Robinson é um importante nome da educação contemporânea mundial. Vale a pena ler seus textos, assistir aos seus vídeos...

"If you're not prepared to be wrong, you'll never come up with anything original"

"Creativity now is as important in education as literacy, and we should trear it with the same status!"

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ouça, Assista e Reflita.

Queridos leitores,

disponibilizo aqui um
link para uma música bem interessante do Gabriel, O Pensador.

A música, chamada Estudo Errado, retrata alguns pensamentos do aluno brasileiro da educação básica e como se dá sua relação com a instituição escola e seus próprios pais.


Link para a música clique aqui
Link para a letra clique aqui